Na nossa primeira aula nós apresentamos a contextualização histórica de emergência da Farmácia Clínica e buscamos discutir a sua definição a partir da compreensão daquilo que entendemos por modelo de prática profissional. A Farmácia Clínica constituiu-se, segundo esta perspectiva, primeiro como um princípio, ou conjunto de princípios em torno do qual se organizou um tipo de prática, um conjunto de atividades profissionais, para em seguida configurar-se como um campo disciplinar, ou seja, uma disciplina científica. Como pudemos argumentar na nossa aula, uma leitura atenta dos autores que foram precursores do movimento clínico nos EUA nos anos 1960 mostra a intencionalidade do movimento que ora iniciava. Pretendia-se que os farmacêuticos assumissem "novos padrões de prática para a farmácia" para além das "atividades administrativas clássicas", incorporando a responsabilidade pelas atividades de cuidado ao paciente (Kalman e Schlegel, 1979).De uma forma geral os artigos que marcam aquele momento histórico de emergência da Farmácia Clínica são recorrentes ao abordar grande preocupação com o processo de desprofissionalização e consequente diminuição do prestígio, da visibilidade social da Farmácia americana. Constatam ainda o conflito entre interesses de mercado e o propósito “altruísta da ideologia profissional”; desta constatação emerge a consciência da falta de uma “ideologia profissional” definida, um propósito ou missão social para a profissão (ou pelo menos o seu esmaecimento). Por fim, é a consciência da existência de um problema social relevante para o sistema de saúde: a morbidade e mortalidade relacionada ao uso de medicamentos, que fundamenta e justifica socialmente a necessidade do deslocamento do objeto da prática farmacêutica do medicamento enquanto produto, para o processo de uso dos medicamentos.
Neste ponto é significativo a definição que encontramos no texto de Francke em 1969: “A Farmácia Clínica é um conceito ou uma filosofia que enfatiza o uso seguro e adequado de medicamentos em pacientes. Ela coloca a ênfase do medicamento sobre o paciente e não sobre o produto. Isto apenas é alcançado interagindo responsavelmente com todas as disciplinas de saúde que estão de alguma forma envolvidos com medicamentos” (PARKER, 1967 citado por FRANCKE, 1969).
Para finalizar seria interessante questionar quais os conhecimentos, habilidades e atitudes vocês consideram fundamentais para que o farmacêutico exerça e desenvolva este modelo de prática? Aliás, segundo o entendimento do que é a Farmácia Clínica, quais são as atividades e funções desenvolvidas pelo Farmacêutico Clínico? Vocês poderiam começar o seu primeiro diário de aprendizagem comentando o que vocês acharam da aula e tentando responder algumas dessas perguntas... O que nos dizem sobre isso?
Leitura complementar:
Ruiz Alvarez, I. Farmacia Clínica, sus objetivos y perspectivas de desarrollo. In: Orrego-Arancíbia, A. et al. (Org.) Fundamentos de Farmacia Clínica. Facultad de Ciencias Químicas y Farmacéuticas, Universidad de Chile, 1993. Disponível em: http://mazinger.sisib.uchile.cl/repositorio/lb/ciencias_quimicas_y_farmaceuticas/arancibiaa01/
Referências:
FRANCKE, G. N. Evolvement of Clinical Pharmacy. Drug Intelligence 1969; 3: 348 – 54.
KALMAN, S. H.; SCHLEGEL, J. F: Standards for practice for the profession of pharmacy. Am Pharmacy NS 19(3):March, 1979.

