quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Farmácia Clínica: aspectos conceituais, princípios, funções e competências do farmacêutico no desenvolvimento de serviços clínicos

Na nossa primeira aula nós apresentamos a contextualização histórica de emergência da Farmácia Clínica e buscamos discutir a sua definição a partir da compreensão daquilo que entendemos por modelo de prática profissional. A Farmácia Clínica constituiu-se, segundo esta perspectiva, primeiro como um princípio, ou conjunto de princípios em torno do qual se organizou um tipo de prática, um conjunto de atividades profissionais, para em seguida configurar-se como um campo disciplinar, ou seja, uma disciplina científica. Como pudemos argumentar na nossa aula, uma leitura atenta dos autores que foram precursores do movimento clínico nos EUA nos anos 1960 mostra a intencionalidade do movimento que ora iniciava. Pretendia-se que os farmacêuticos assumissem "novos padrões de prática para a farmácia" para além das "atividades administrativas clássicas", incorporando a responsabilidade pelas atividades de cuidado ao paciente (Kalman e Schlegel, 1979).

De uma forma geral os artigos que marcam aquele momento histórico de emergência da Farmácia Clínica são recorrentes ao abordar grande preocupação com o processo de desprofissionalização e consequente diminuição do prestígio, da visibilidade social da Farmácia americana. Constatam ainda o conflito entre interesses de mercado e o propósito “altruísta da ideologia profissional”; desta constatação emerge a consciência da falta de uma “ideologia profissional” definida, um propósito ou missão social para a profissão (ou pelo menos o seu esmaecimento). Por fim, é a consciência da existência de um problema social relevante para o sistema de saúde: a morbidade e mortalidade relacionada ao uso de medicamentos, que fundamenta e justifica socialmente a necessidade do deslocamento do objeto da prática farmacêutica do medicamento enquanto produto, para o processo de uso dos medicamentos.

Neste ponto é significativo a definição que encontramos no texto de Francke em 1969: “A Farmácia Clínica é um conceito ou uma filosofia que enfatiza o uso seguro e adequado de medicamentos em pacientes. Ela coloca a ênfase do medicamento sobre o paciente e não sobre o produto. Isto apenas é alcançado interagindo responsavelmente com todas as disciplinas de saúde que estão de alguma forma envolvidos com medicamentos” (PARKER, 1967 citado por FRANCKE, 1969).

Para finalizar seria interessante questionar quais os conhecimentos, habilidades e atitudes vocês consideram fundamentais para que o farmacêutico exerça e desenvolva este modelo de prática? Aliás, segundo o entendimento do que é a Farmácia Clínica, quais são as atividades e funções desenvolvidas pelo Farmacêutico Clínico? Vocês poderiam começar o seu primeiro diário de aprendizagem comentando o que vocês acharam da aula e tentando responder algumas dessas perguntas... O que nos dizem sobre isso?

Leitura complementar:
Ruiz Alvarez, I. Farmacia Clínica, sus objetivos y perspectivas de desarrollo. In: Orrego-Arancíbia, A. et al. (Org.) Fundamentos de Farmacia Clínica. Facultad de Ciencias Químicas y Farmacéuticas, Universidad de Chile, 1993. Disponível em: http://mazinger.sisib.uchile.cl/repositorio/lb/ciencias_quimicas_y_farmaceuticas/arancibiaa01/

Referências:
FRANCKE, G. N. Evolvement of Clinical Pharmacy. Drug Intelligence 1969; 3: 348 – 54.
KALMAN, S. H.; SCHLEGEL, J. F: Standards for practice for the profession of pharmacy. Am Pharmacy NS 19(3):March, 1979.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Novo semestre, novos desafios e o fortalecimento das alianças

Estamos iniciando mais um semestre na disciplina de Farmácia Clínica. Ao mesmo tempo que damos as boas vindas aos estudantes de Farmácia, gostaríamos de ressaltar o empenho dos Farmacêuticos e Residentes do HUFS para a efetivação da disciplina nas dependências do nosso hospital universitário.
Mais do que algo simbólico para todos nós, a parceria estabelecida com a Residência Multiprofissional Integrada em Saúde e com o Serviço de Farmácia, permite mais um movimento de melhoria nas condições de oferta da disciplina, oportunizando um programa de atividades práticas, como também oxalá possibilite o desenvolvimento da Farmácia Clínica como promissora realidade em Sergipe.
Continuamos acreditando na fórmula que até aqui tem dado certo: um passo de cada vez em direção a metas bem definidas, humildade para aprender e fazer junto, diálogo e pactuação entre todos os atores envolvidos...
Nosso lema define a expectativa para este semestre: "Serenidade diante dos problemas e ação para o fortalecimento das alianças até aqui construídas"
Iniciamos hoje portanto mais uma parte da nossa caminhada, bem vindos estudantes, farmacêuticos e colaboradores deste blog!!!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Qual a essência da nossa prática profissional?

Esta vai para os nossos alunos de Atenção Farmacêutica.
Entre definições de categorias e classificações de PRMs, de fato necessárias ao exercício técnico e intervenção racional no processo de manejo das necessidades farmacoterapêuticas de nossos pacientes...A partir da discussão de hoje e dos exclentes questionamentos que vocês fizeram em sala de aula, eu lembrei de um poema de Cora Coralina, que li faz alguns anos...
São palavras que resumem aquilo que poderia ser o significado, a essência humana da nossa prática:

Saber Viver


"Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar."

Cora Coralina

sábado, 16 de abril de 2011

The professional pharmacist and the pharmacy business (Quando até as pedras clamam!!! Quo Vadis Farmácia?)

Chapman C. The professional pharmacist and the pharmacy business Aust Prescr 2011;34:34-5

"Expansion of the role of pharmacists in primary health care should be more than just assistance with the selection of complementary and over-the-counter medicines. Pharmacists should contribute in a more meaningful way as part of a team approach to health care so that referral to other members of the team, particularly general practitioners"

"In reality, payment for professional services other than the preparation and dispensing of pharmaceutical products will remain an unfulfilled goal until pharmacists unequivocally demonstrate they can contribute significantly to primary health care."

Os trechos acima foram extraídos do editorial da Australian Prescriber deste mês redigido pelo Prof. Colin Chapman que busca refletir e levantar uma questão que ele considera premente para o desenvolvimento da profissão farmacêutica, com implicações para o modelo de cuidado à saúde na Autrália...
A leitura deste artigo só reforça vários argumentos, ensaios, relatos e documentos oficiais que tratam da necessidade de reorientação e expansão do nosso modelo de prática...Este é um fato que parece ser de conhecimento até das pedras do deserto...

"Nevertheless, the time has surely come for community pharmacists to decide once and for all if they are to embrace the changes necessary to improve substantially the 'nonprescription' services they offer." 

domingo, 10 de abril de 2011

Farmácia nas ondas do rádio

Prezados amigos, para conhecimento, estamos divulgando o Programa "A saúde tem remédio...fale com seu Farmacêutico", uma produção do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Farmácia Social (LEPFS) e Rádio UFS. Quem quiser assistir basta acessar o site da Rádio UFS FM http://www.infonet.com.br/radioufsfm/
Os horários de inserção do programa estão disponíveis abaixo: